Junho é considerado o mês Mundial de Conscientização da Infertilidade e tem como objetivo informar e esclarecer a população sobre o tema.

Um casal infértil é considerado infértil quando, mesmo com uma vida sexual ativa e sem uso de métodos anticoncepcionais há pelo menos um ano, não consegue engravidar.

Com a transformação do papel da mulher na sociedade, em busca de realizações pessoais e do seu espaço no mercado de trabalho, a gravidez muitas vezes é postergada. A idade da mulher impacta diretamente nas taxas de gestação, no aumento das perdas gestacionais e de nascidos vivos com alterações cromossômicas. Existem alternativas para que o sonho da maternidade aconteça ainda que tardiamente.

Em busca de atingir o objetivo, muitos casais começam uma peregrinação pelo melhor tratamento, algumas vezes lançando mão de informações imprecisas colocadas nas redes sociais e meio eletrônico.

A medicina que inclui também a área de infertilidade conjugal necessita de exames específicos para se chegar a um diagnóstico.

O ginecologista e especialista em Reprodução Humana Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor do Centro de Reprodução Humana Fertivitro, aborda entre vários temas correlacionados a infertilidade conjugal, a importância da idade da mulher, da possibilidade de preservar a fertilidade através do congelamento de óvulos e também da obesidade, outra conseqüência da vida moderna que interfere na saúde da mulher.

Idade da mulher

Quando um casal inicia sua tentativa para engravidar em que a mulher se encontra com mais de 35 anos, as chances de uma gestação são significativamente mais reduzidas, pois a quantidade e qualidade dos óvulos já se encontram em declínio importante.

As perdas gestacionais, em sua grande maioria, são decorrentes de alterações cromossômicas no embrião formado.

Existem técnicas na reprodução assistida, como a fertilização in vitro, que podem ajudar o casal a engravidar de forma mais rápida, evitando uma gravidez tardia e as chances de aborto em conseqüência de alterações cromossômicas no embrião.

Nos casos em que a mulher já não possui mais óvulos, o casal poderá realizar o tratamento com óvulos doados. Segundo normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), os óvulos doados deverão ser provenientes de mulheres com menos de 35 anos, e esta doação terá que ser necessariamente anônima e gratuita. As normas éticas do CFM também limitam, dependendo da idade da mulher, a quantidade de embriões a serem transferidos ao casal:

- até 35 anos: 2 embriões;

- entre 36 e 39: 3 embriões;

- acima de 40 anos ou mais poderão transferir, no máximo, quatro.

Sempre levando em consideração a idade da mulher que produz os óvulos. Portanto, uma receptora de óvulos doados poderá receber no máximo dois embriões, já que as doadoras terão no máximo 35 anos.

Alertamos que uma gravidez em que a idade da mulher seja superior a 50 anos, aumenta o risco de complicações obstétricas como diabetes gestacional e hipertensão.

Obesidade feminina e infertilidade

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, a doença e o excesso de peso (IMC maior ou igual a 25 kg/m²) atingem 30% das mulheres brasileiras em idade reprodutiva (16 a 45 anos). “Estar acima do peso gera problemas hormonais que afetam o processo reprodutivo. Existe uma relação entre a obesidade e a ação da insulina que pode levar a uma condição de infertilidade conhecida como Síndrome do Ovário Policístico (SOP).

O excesso de gordura corporal influencia ainda, a produção do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH), essencial para regular a ovulação nas mulheres.

Obesidade masculina e a infertilidade

A doença gera efeitos negativos também nos homens, pode ocorrer um impacto no desenvolvimento embrionário e nas taxas de gravidez. Existe evidência de que a obesidade masculina implica igualmente na redução da fertilidade e na qualidade embrionária.

O peso de um homem é considerado normal quando o índice de massa corpórea (IMC) está entre 18,5 e 25. Pesquisas também comprovam que homens acima do peso possuem um índice maior de fragmentação de DNA no espermatozoide, que pode levar à problemas na fertilização. A integridade do DNA espermático é importante para o sucesso da fertilização e para o desenvolvimento embrionário normal

Preservação da fertilidade com Congelamento de óvulos.

Mulheres que desejam postergar a maternidade podem recorrer às técnicas de reprodução humana para preservar a fertilidade. Com o avanço da Medicina Reprodutiva, é possível congelar os óvulos e realizar a fertilização in vitro (FIV), no momento em que a paciente considerar oportuno tentar engravidar.

Na maioria dos casos de congelamento de óvulos, a procura é feita por mulheres saudáveis que planejam ter um filho no futuro. Mas há casos em que a criopreservação de óocitos, como também é chamada essa técnica, é indicada para mulheres com algum tipo de câncer, que correm o risco de perder a fertilidade após a exposição a terapias citotóxicas como os tratamentos de quimioterapia, ou ainda, aquelas que estão sendo submetidas a tratamentos de infertilidade por meio da fertilização in vitro, e preferem congelar óvulos ou embriões.

 

Sobre o Dr. Luiz Eduardo Albuquerque

Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor médico da Fertivitro, é ginecologista especialista em Reprodução Humana. Mestre em Ginecologia pela Unifesp e pós-graduado em Ginecologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (RJ), possui o TEGO – Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, certificado pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Título de especialista em Reprodução Humana pelo Instituto Dexeus, Barcelona – Espanha; membro da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) – Estados Unidos; e membro da European Society of Human Reproductive and Embriology (ESHRE) –  Bélgica.

Médico do Núcleo de Esterilidade Conjugal do Centro de Referência da Saúde da Mulher do Hospital Pérola Byington, em São Paulo (SP).