Técnica auxilia na estimulação ovariana para promover a formação do pré-embrião


Por Dra. Fernanda Coimbra Miyasato*


A hipófise é uma glândula localizada na base do cérebro, que controla vários sistemas do organismo, entre eles o ciclo hormonal do ovário e, consequentemente, a ovulação. Esta, por sua vez, é controlada pelo hipotálamo, que a estimula a produzir e liberar os hormônios gonadotróficos (FSH e LH), atuantes nos ovários. Para a realização da estimulação ovariana nos tratamentos de fertilização in vitro (FIV), o bloqueio hipofisário deve ser realizado para não haver a perda dos óvulos, ou seja, uma ovulação espontânea.

Todos os meses, os ovários oferecem vários folículos que podem conter óvulos em seu interior. A estimulação ovariana tem como objetivo amadurecer um grande número de óvulos nesses folículos, permitindo sua coleta para o processo de fertilização dos embriões em laboratório.

Em um ciclo espontâneo, sob estímulo do GnRH (Gonadotropin-releasing Hormone – Hormônio liberador de gonadotrofina), liberado pelo hipotálamo, a hipófise produz e libera o hormônio folículo-estimulante (FSH) e o luteinizante (LH) que vão estimular o crescimento dos folículos ovarianos, os quais contêm os óvulos. Geralmente apenas um folículo se torna capaz de eliminar o óvulo. Os folículos também são responsáveis pela produção do hormônio estradiol, que provoca a liberação do luteinizante (LH) pela hipófise.

O abrupto aumento do LH desencadeia o processo da ovulação propriamente dita, pelo amadurecimento e pela postura do óvulo. A partir desse momento, se as trompas estiverem funcionando, elas poderão captar o óvulo e promover o encontro do óvulo com os espermatozóides, podendo, assim, ocorrer a fertilização e a formação do pré-embrião. O hormônio luteinizante (LH) também é o responsável por fazer com que o ovário, após a ovulação, mantenha a produção do hormônio progesterona que deverá agir no preparo do endométrio, para que ocorra a implantação do pré-embrião.

Baseado nesses conhecimentos, inicia-se a indução da ovulação nos tratamentos de reprodução. Portanto, é necessário bloquear a ação da hipófise para se controlar e impedir a liberação do pico de LH e ovulação. Esse bloqueio poderá ser realizado usando os ANÁLOGOS de GnRH. Estas medicações são semelhantes ao GnRH liberado no hipotálamo e que vai atuar na hipófise, bloqueando sua ação ao ser administrado continuamente. Na prática clínica existem dois protocolos básicos de bloqueio: um chamado longo, com AGONISTA de GnRH; e outro chamado bloqueio curto, com ANTAGONISTA de GnRH . A ação dos dois medicamentos, agonista ou antagonista, é diferente, mas com o mesmo objetivo de bloquear a ovulação.

O bloqueio com o AGONISTA é mais antigo e, por isso, os profissionais da área de reprodução têm mais experiência nesse protocolo. No início do uso, a medicação promove uma liberação maciça de LH e FSH, e com a ação contínua ocorre o bloqueio da produção e liberação do FSH e LH. O agonista geralmente é iniciado uma semana antes do início da menstruação e permanece durante a estimulação ovariana. Os agonistas possuem a vantagem de permitir uma melhor programação do ciclo de tratamento tanto para o casal como para a equipe médica.

A utilização do ANTAGONISTA é mais recente, sendo que este possui uma ação de bloqueio e desbloqueio imediata a sua utilização e parada, tendo, portanto, que respeitar o horário da administração. Geralmente é iniciado quando o folículo atinge 12 a 14 mm ou no sexto dia da indução ovariana, quando existe o risco de liberação espontânea precoce do LH pela hipófise. Uma vez iniciado, deve ser administrado a cada 24 horas até o final da estimulação. Este protocolo pode ter algumas vantagens, como menor tempo de uso de medicação, maior adesão da paciente ao tratamento e possibilidade de diminuir os riscos de hiperestímulo ovariano.

* Dra. Fernanda Coimbra Miyasato é ginecologista e especialista em Reprodução Assistida da Fertivitro — Centro de Reprodução Humana.

Mais informações no site da Fertivitro: www.fertivitro.com.br