• Realizar exames de rotina, usar preservativo, manter uma alimentação saudável, evitar o contato com metais pesados e não consumir álcool e drogas são as principais orientações do ginecologista e especialista em Reprodução Assistida, Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor clínico da Fertivitro, para evitar a infertilidade e problemas na gestação

 

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e com o intuito de mobilizar a sociedade sobre os cuidados com a saúde feminina, a Fertivitro orienta como se prevenir das principais doenças e destaca os problemas que afetam a realização do sonho da maternidade.

O ginecologista e especialista em Reprodução Assistida, Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor da Fertivitro, explica quais são os métodos de prevenção do câncer do colo do útero, de que forma o desequilíbrio alimentar prejudica a fertilidade e fala dos malefícios do álcool, tabaco e drogas para a tentativa de engravidar e na gestação. O médico orienta, ainda, como as mulheres devem proceder ao optar por uma gravidez tardia e quais medidas adotar no caso de contato com metais pesados, antes e enquanto estiverem grávidas.

 

Previna-se contra o câncer do colo do útero – faça exames de rotina e use preservativos

O câncer do colo do útero, também chamado de cervical, é causado pela infecção persistente por alguns tipos (chamados oncogênicos) do Papilomavírus Humano (HPV). A infecção genital por este vírus é muito frequente e não causa doença na maioria das vezes. Entretanto, em alguns casos, podem ocorrer alterações celulares que poderão evoluir para o câncer, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva). Estas alterações das células são diagnosticadas pelo exame preventivo conhecido como Papanicolaou, e são curáveis em quase todos os casos.

“Existem duas formas de evitar a doença, uma é sempre usar preservativo durante a relação sexual, o que impede a contração do vírus HPV, e também pela realização periódica do exame Papanicolau”, alerta Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, da Fertivitro.

 

Obesidade e anorexia afetam a fertilidade e a gravidez – tenha uma alimentação saudável

O desequilíbrio na alimentação pode causar a obesidade ou anorexia, doenças que afetam diretamente a fertilidade feminina, a gestação e o feto.

Obesidade

A obesidade é um dos principais fatores de risco para a fertilidade, porque está associada a ciclos menstruais irregulares, problemas na ovulação e anovulação (falha da ovulação) e níveis elevados de hormônios masculinos, diminuindo, dessa forma, as chances de gestação.

O excesso de gordura corporal influencia, ainda, a produção do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH), essencial para regular a ovulação nas mulheres. Especificamente, o GnRH provoca a liberação dos hormônios Folículo Estimulante (FSH) e Luteinizante (LH), ambos responsáveis pela produção dos óvulos.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, a obesidade e o excesso de peso (IMC maior ou igual a 25 kg/m²) atingem 30% das mulheres brasileiras em idade reprodutiva (16 a 45 anos). “Estar acima do peso gera problemas hormonais anormais que afetam o processo reprodutivo. Existe uma relação entre a obesidade e a ação da insulina liberada pelo pâncreas, que pode levar a uma condição de infertilidade, conhecida como Síndrome do Ovário Policístico (SOP)”, explica Dr. Luiz.

A dica do especialista é adotar uma dieta rica em frutas, legumes, verduras, carnes brancas, grãos e cereais e praticar exercícios físicos regularmente. “Evite comidas gordurosas, industrializadas, frituras e excesso de açúcar”, acrescenta.

Anorexia

No caso da anorexia, um transtorno alimentar mais frequente em mulheres entre 13 e 20 anos, a característica da doença é a restrição rígida a ingestão de alimentos e a prática excessiva de exercícios físicos. É uma disfunção que envolve componentes psicológicos, fisiológicos e sociais.

A relação da anorexia com a infertilidade se deve ao fato da desnutrição prejudicar o ciclo ovulatório, reduzindo os níveis de hormônios como FSH (Hormônio Folículo Estimulante) e o LH (Hormônio Luteinizante), responsáveis pelo processo da ovulação, portanto, nesses casos, a infertilidade é causada pela falta de ovulação. Além de causar amenorreia, ausência de fluxo menstrual por um período maior que noventa dias.

As gestantes com anorexia têm maior incidência de hiperemese gravídica (vômitos durante a gestação que não melhoram com tratamento ambulatorial), resultando num menor ganho ponderal, retardo de crescimento fetal intrauterino, prematuridade, recém-nascido de baixo peso e desnutrição do bebê pós-parto. Como se trata de um distúrbio psiquiátrico é possível se deparar, frequentemente, com um aumento da incidência de depressão pós-parto. “Lembrando que a paciente anoréxica necessita de um estreito acompanhamento durante o pré-natal e o pós-parto”, alerta o ginecologista, especialista em Reprodução Assistida.


Tabaco, drogas e álcool causam infertilidade – mantenha bons hábitos de vida

O consumo de tabaco, álcool e drogas prejudica a saúde da mulher sob diversos aspectos, principalmente, no que se refere à sua fertilidade e à gestação.

Álcool

O álcool, além de estimular o uso de outras substâncias químicas como o cigarro e as drogas, pode causar uma alteração no funcionamento normal do sistema regulador cerebral responsável pela produção dos hormônios femininos. Com isso, é possível haver falha da menstruação, aumento do hormônio prolactina (responsável, entre outras, pela produção de leite), diminuição da libido (desejo sexual), falha na ovulação e defeito de fase lútea (pós-ovulação) e, com isso, resultar em infertilidade. Segundo estudos realizados por Hakim RB, divulgados na publicação científica Fertility and Sterility, o consumo de álcool está relacionado com até 50% à redução da fertilidade feminina.

Não é recomendado o consumo de álcool também na gestação. A substância talvez seja a mais perigosa, já que pode levar a várias complicações, entre elas a mais séria: a Síndrome Alcóolico Fetal. A doença, que pode ocorrer em 30% a 40% dos filhos de mulheres alcoólatras, é caracterizada por deficiência de crescimento, retardo mental, distúrbios de comportamento, além do aumento da incidência de problemas cardíacos e cerebrais após o nascimento. “O álcool também é responsável pelo aumento no risco de aborto espontâneo em 2 a 3 vezes, pode aumentar o risco de parto prematuro e morte fetal”, explica Dr. Luiz.

Cigarro

O tabaco também é responsável por alterações hormonais, aumento da incidência de câncer e diminuição nas taxas de sucesso nos tratamentos de reprodução assistida. O cigarro pode causar alterações menstruais, devido a disfunções hormonais e lesões tubárias, o que aumenta a incidência de gestação ectópica (nas trompas). Pode reduzir a quantidade de estrogênio circulante e alterar a circulação sanguínea ovariana, o que contribui para a diminuição da qualidade e quantidade de óvulos e aumenta o risco de problemas genéticos nos embriões. Devido aos seus efeitos nos vasos sanguíneos, além de diminuir o aporte de sangue aos órgãos genitais está relacionado a uma menor taxa de implantação embrionária. O pesquisador Hakim RB divulgou na revista científica Fertility and Sterility que mulheres que nunca fumaram tiveram o dobro de sucesso na taxa de gestação comparadas às que fumaram.

A maconha, a droga atualmente mais consumida, pode originar alterações hormonais e, consequentemente, diminuir a fertilidade e as taxas de sucesso nos tratamentos de reprodução assistida. A droga está associada à diminuição da qualidade dos óvulos. O uso da maconha durante a gravidez pode ter efeitos extremamente variáveis sobre o feto, dependendo da quantidade e frequência do consumo. Menor duração da gestação e crianças com baixo peso ao nascer são algumas de suas complicações.

Cocaína, crack e heroína

Já a cocaína e o crack podem levar a diminuição da libido, diminuição na produção hormonal com alteração no número e qualidade dos óvulos. Quando consumidos durante a gestação, estão associados aos recém-nascidos de baixo peso, malformações ou problemas neurológicos. A cocaína diminui o fluxo de sangue para o feto, que poderá ter restrição de crescimento no útero ou baixo peso ao nascer. Também é responsável pelo aumento da pressão na mãe ou nascimento prematuro por insuficiência placentária ou descolamento da placenta e ainda contrações uterinas precoces. Devido a sua ação direta no sistema vascular fetal pode causar malformações urogenitais, cardiovasculares e do sistema nervoso central.

A heroína na mulher está associada a distúrbios no ciclo menstrual, aumenta o risco de aborto, parto prematuro, baixo peso fetal e morte do feto ao nascimento. Os filhos de mãe dependente desta droga poderão sofrer a síndrome da morte súbita, sintomas de abstinência logo após o nascimento e problemas durante seu desenvolvimento.

O especialista da Fertivitro, Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, alerta que “é de suma importância interromper o consumo de drogas aos casais que pretendem engravidar, pois estas substâncias demoram em média de três a seis meses para serem depuradas pelo organismo, portanto, podem resultar em infertilidade temporária ou permanente”.

 

Profissionais em contato com metais pesados – diminua o tempo de exposição

A exposição a metais pesados, como o cobre, chumbo, mercúrio, cádmio, arsênico, níquel, ouro, entre outros, afetam a fertilidade. Essas substâncias químicas são nocivas ao organismo porque podem causar aborto, malformações fetais e parto prematuro; danificam a placenta, os óvulos e afetam os ovários.

No ovário, o acúmulo de metais pesados altera a produção de estradiol e progesterona. Isto pode interferir no desenvolvimento normal do óvulo e causar alterações cromossômicas embrionárias.

A gravidez que ocorre na presença de altas concentrações de metais pesados cursam com alto risco de perdas, malformações fetais, insuficiência placentária e nascimento prematuro. “A exposição ao chumbo, por exemplo, aumenta os riscos de aborto, parto prematuro (nascimento antes das 37 semanas), baixo peso ao nascer, atrasos do desenvolvimento, do comportamento e da aprendizagem na criança, devido a danos no sistema nervoso. Além disso, o chumbo é teratogênico, causa malformações congênitas no feto. Tal substância pode estar presente na água potável, pela corrosão de encanamentos, em pilhas, cerâmicas, joias e tintas”, explica Dr. Luiz, da Fertivitro. Mercúrio, ácido arsênico e cádmio também aumentam os riscos de aborto e de bebês nascidos mortos. Alguns estudos mostram que o cádmio induz a formação de miomas uterinos, causa aborto e danos à placenta e reduz o peso do bebê ao nascer, além de ser teratogênico, especialmente ao sistema nervoso central.O indicado para profissionais que estão em contato com essas substâncias é adotar níveis mínimos de exposição, utilizar equipamentos de proteção e reduzir a jornada de trabalho diário, se possível. “Algumas pesquisas relatam que antioxidantes, como a vitamina C, E, A e zinco, protegem o organismo contra os efeitos maléficos destes metais. Também como prevenção, é indicado adotar uma alimentação orgânica (cultivada sem agrotóxicos). É importante lavar exaustivamente e descascar os alimentos antes de comê-los para remover os produtos químicos agrícolas que porventura estejam presentes”, orienta o ginecologista, especialista em Reprodução Humana, Dr. Luiz Eduardo Albuquerque.