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Dúvidas sobre infertilidade

Conheça as respostas às dúvidas mais frequentes quando tratamos de reprodução assistida:

1 - Posso escolher o sexo do bebê?

A escolha de sexo nos tratamentos de Reprodução Assistida é considerada antiética de acordo com resolução nº 1358 de 11/11/1992 do Conselho Federal de Medicina.

Nas próprias palavras da resolução:

"Em relação às técnicas de reprodução assistida, temos como princípios gerais que as mesmas facilitem o processo de procriação, podendo ser empregadas quando exista possibilidade efetiva de sucesso e que não sejam aplicadas com a intenção de selecionar qualquer característica biológica do futuro filho, inclusive o sexo".

2 - Posso doar meus óvulos?

Sim. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, em sua resolução n° 1.184/2003, Art. 7º: "Será permitida a doação de gametas, sob a responsabilidade dos serviços de saúde que praticam a Reprodução Assistida, vedadas a remuneração e a cobrança por esse material, a qualquer título." A doação de óvulos é um procedimento simples. As candidatas à doação, após estudos de compatibilidade física e sanguínea, precisam fazer um tratamento medicamentoso e monitorado, que precedem a aspiração folicular. Todas as doadoras são voluntárias e devem ser pesquisadas quanto a doenças genéticas e sexualmente transmissíveis e devem fazer parte de um programa de reprodução assistida.

3 - Posso receber óvulos de outra pessoa?

Sim. Esse tratamento é indicado para as mulheres que não tenham óvulos ou os produzam com baixa qualidade. A doação de óvulos também é aconselhável para as mulheres portadoras de doenças genéticas que possam ser transmitidas para seus filhos, que não possam ser diagnosticadas pela técnica do DPGI (diagnóstico genético pré implantacional). As candidatas à doação, após estudos de compatibilidade física, precisam fazer o tratamento medicamentoso e monitorado para a coleta dos óvulos. Depois de coletados os óvulos da doadora, estes são fertilizados com o sêmen do parceiro da receptora. As doadoras são voluntárias e são pesquisadas quanto a doenças genéticas e sexualmente transmissíveis.

4 - Posso preservar meus óvulos?

Sim. A preservação dos óvulos por meio do congelamento é indicada para as mulheres em idade reprodutiva que desejam adiar a gravidez seja por fator profissional ou por sequelas de tratamento de quimioterapia ou radioterapia contra o câncer, onde existe a probabilidade de comprometer a produção de óvulos.

5 - Como funciona a inseminação com sêmen de doador?

A inseminação intrauterina com sêmen de doador é um procedimento ético e legal segundo o Conselho Federal de Medicina. Tecnicamente, utilizamos sêmen de Banco de sêmen e fazemos a inseminação intrauterina no momento da ovulação da paciente.

6 - Fiz vasectomia. Quais as minhas opções?

Existem duas formas de tratar um casal em que o parceiro foi submetido à vasectomia. Primeiramente tentamos, quando indicado, fazer uma cirurgia de recanalização dos canais deferentes. No sucesso da cirurgia, poderá ocorrer gestação espontânea. Porém, sabemos que, após um longo tempo de vasectomia, existe uma diminuição das possibilidades de sucesso. Sendo assim, nas azoospermias obstrutivas (Vasectomia) não operadas, a indicação de tratamento é a fertilização in vitro (FIV) com coleta de espermatozoides diretamente dos testículos ou do epidídimo.

7 - Fiz laqueadura. Quais as minhas opções?

Se você fez laqueadura, existem duas possibilidades de tratamento: a reversão cirúrgica e a fertilização in vitro (FIV). O grande inconveniente da cirurgia é que estas pacientes necessitam de um tempo de recuperação pós-cirúrgico de aproximadamente 6 meses para tentar engravidar. Aproximadamente 50% das pacientes que fazem a reversão conseguem a gestação. Após um ano sem sucesso, a indicação é a FIV. Indicamos a FIV também para pacientes acima de 35 anos, pois não é necessário aguardar para iniciar o tratamento, já que a idade é um fator crucial em relação às chances de gestação.

8 - Como funciona a barriga de aluguel?

A barriga de aluguel (útero de substituição) está indicada para os casais em que a mulher não possui o útero ou apresenta alguma contraindicação para gestar. Segundo o código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina, a barriga de aluguel só poderá ser realizada quando a portadora da barriga de aluguel for parente de primeiro ou segundo grau do casal que está sendo submetido ao tratamento. Quando o casal não possuir parentes, é necessário solicitar um parecer junto ao nosso conselho de Medicina para autorizar o tratamento.

Nesse caso, o tratamento consiste em fazer a mulher produzir óvulos, que serão fertilizados em laboratório pelos espermatozoides do parceiro e, uma vez formados os pré-embriões, fazemos a transferência destes para o útero de substituição. É importante salientar que o procedimento de barriga de aluguel não pode apresentar caráter comercial.

9 - Posso ser mãe na menopausa?

Infelizmente, a mulher possui uma vida reprodutiva limitada, que normalmente termina com a proximidade dos 50 anos. Sabemos que uma gestação espontânea após os 45 anos é extremamente rara, e para as mulheres que querem ter filhos com essa idade existe a necessidade da realização de tratamentos de reprodução assistida e, mesmo assim, o sucesso de uma gestação viável é quase impossível.

As mulheres que engravidam após os 45 anos com tratamento de infertilidade, geralmente, são pacientes que receberam óvulos de pessoas mais jovens, ou seja, doados. Nessa técnica, os óvulos doados são fertilizados com espermatozoides do marido da receptora. Uma vez formados os embriões, estes são transferidos para o útero da receptora.

10 - Qual a diferença de inseminação intra-uterina e fertilização in vitro?

A inseminação intrauterina (IIU) é uma técnica mais simples, indicada para tratamento de algumas causas de infertilidade, como alterações seminais leves que possam estar dificultando o encontro dos espermatozoides com o(s) óvulo(s); esterilidade sem causa aparente (ESCA) e endometriose leve. Nesse caso, o sêmen é preparado no laboratório, onde são selecionados os melhores espermatozoides e colocados dentro do aparelho reprodutor feminino (útero e tubas) no momento da ovulação. A FIV (fertilização in vitro) e a ICSI (injeção Intracitoplasmática de espermatozoides) são métodos de Técnica de Reprodução Assistida. As indicações são amplas: comprometimento das trompas (tubas), endometriose, fator masculino importante, fatores imunológicos, esterilidade sem causa aparente (ESCA) e falha de tratamentos anteriores. Após a fertilização, os embriões, no máximo quatro, são transferidos para o útero.

11 - Qual a chance de ter gravidez múltipla?

A probabilidade de gestações múltiplas aumenta com o emprego dos métodos de fertilização. Numa gravidez natural, em geral apenas um óvulo é fecundado. Na artificial, feita nas clínicas de reprodução assistida, tenta-se formar o maior número possível de embriões de boa qualidade, produzidos de óvulos coletados da mãe e espermatozoides do pai. Eleva-se, dessa forma, a probabilidade de gravidez, mas também, é claro, de haver uma gestação múltipla.

Na Europa, onde há a maior fiscalização no que diz respeito aos tratamentos de reprodução assistida por parte dos governos, o índice de gestação gemelar está inalterado há quatro anos, mantendo-se em 26,4%. Desse número, 24,4% são gestações de gemelares, 2,0% de gestações de trigemelares e 0,04% de quadrigemelares. Visando alcançar taxas ainda menores, vários centros do mundo vêm colocando em prática a transferência de poucos embriões ou de embrião único, dependendo da idade da paciente e da qualidade embrionária.

12 - Quais exames preciso fazer para me submeter a um tratamento de infertilidade?

É necessário que você faça uma avaliação hormonal, ultrassom do útero e ovários, avaliação das trompas, exames de doenças sexualmente transmissíveis e espermograma do parceiro. Outros exames, quando necessários, serão solicitados segundo avaliação do especialista.

13 - Tenho endometriose. Qual o melhor tratamento?

A endometriose pode ou não ser um fator de infertilidade. Existem exames importantes a serem feitos para sabermos se a endometriose está ou não prejudicando a presença de uma gestação. Temos que lembrar que, em um terço dos casais, as causas da infertilidade são tanto da mulher como do homem. Porém, quando existe a endometriose grau III ou IV, ou seja, alterações da anatomia pélvica, a indicação é a fertilização in vitro.

14 - Tenho problema nas trompas, posso engravidar?

Se o seu problema é nas trompas, a indicação de tratamento é a fertilização in vitro (FIV), pois é nas trompas que os gametas (óvulo e espermatozoides) se encontram e é onde ocorre a fertilização. Na impossibilidade de isso ocorrer, utilizamos o laboratório de FIV, que possui as condições necessárias para que a fertilização ocorra fora do corpo.

15 - Não ovulo. Como vou engravidar?

A falta de ovulação (anovulação) é uma das causas mais comuns de infertilidade conjugal, e entre elas a Síndrome dos Ovários Policísticos é a mais frequente. Porém, devemos descartar também outras causas de infertilidade, como fator masculino, fator tubário, fator uterino etc. Uma vez definida como sendo a única causa a anovulação, iniciamos o tratamento com medicamentos para induzir a ovulação e programamos as relações sexuais para o momento correto do período ovulatório (coito programado). Quando não conseguimos o objetivo após três tentativas com esse tratamento, geralmente passamos para inseminação intrauterina (também três tentativas) e, no insucesso, indicamos a fertilização in vitro.

16 - Existe algum efeito colateral com o uso de hormônios?

Geralmente não, porque os hormônios são iguais aos hormônios que já circulam no nosso organismo e são usados por um período curto. Porém, nos tratamentos de fertilização assistida, FIV/ICSI, existe um risco de você apresentar a Síndrome de Hiperestímulo Ovariano quando há quantidade muito grande de óvulos.

17 - Qual a duração do tratamento de infertilidade?

O tratamento indicado após a realização de todos os exames dura em média de 15 a 20 dias. Em nosso centro ele começa, na maioria das vezes, no início da menstruação.

18 - Quantos embriões posso transferir?

A transferência de embriões pode ser no máximo 4. Isso se deve ao fato estatístico de que, geralmente, um número superior a este não aumenta as taxas de gravidez, apenas aumenta a taxa de gestação múltipla. Vale ressaltar que mais de 95% das gravidezes obtidas pela FIV ou ICSI são de 1 ou 2 fetos. Atualmente, levamos em consideração a idade do casal e a qualidade do embrião para definirmos em comum acordo com o casal o número de pré-embriões a ser transferidos. Procuramos, atualmente, não transferir mais de 3 embriões.

19 - Quando procurar um tratamento?

A chance de um casal obter uma gestação em cada ciclo menstrual da mulher é de 15%, ou seja, após 1 ano de vida sexual ativa sem métodos anticoncepcionais, 80% dos casais já conseguiram uma gestação. Sendo assim, após 1 ano, seria importante procurar por um especialista em Reprodução Humana para que seja iniciada a investigação do casal. Em mulheres acima de 35 anos, recomendamos a procura de um especialista após 6 meses de vida sexual ativa sem métodos anticoncepcionais.

20 - Como funciona a produção independente?

A produção independente é um procedimento ético e legal segundo o Conselho Federal de Medicina. Tecnicamente, utilizamos sêmen de banco de sêmen e fazemos a inseminação intrauterina no momento da sua ovulação.

21 - Até que idade posso engravidar?

A chance de você engravidar vai diminuindo de acordo com a idade e se torna crítica após os 40 anos. Nessa faixa de idade, grande parte das gravidezes já não ocorre espontaneamente, é preciso induzir a ovulação ou recorrer a outras técnicas que favoreçam a fertilidade. Normalmente, uma gestação espontânea após os 45 anos é extremamente rara, pois os riscos de doenças cromossômicas aumentam com a idade, e a chance de aborto é muito grande.

Taxa de gravidez com transferência de quatro embriões e idade da mulher
Idade da MulherTaxa de gravidez Clínica
< 35 anos37,3%
35-39 anos29,1%
40 anos ou mais37,3%
Fonte: RLA 2000

22 - Meu marido tem azoospermia. O que fazer?

Nas azoospermias, a indicação de tratamento é a fertilização in vitro (FIV) com coleta de espermatozoides diretamente dos testículos (epidídimo). Porém, antes de qualquer coisa, necessitamos saber qual a causa da azoospermia com a realização de exames genéticos como cariótipo e pesquisa de microdeleção do cromossomo Y para sabermos o prognóstico do sucesso de encontrarmos espermatozoides no testículo. Após, indicamos a biópsia, ou seja, retirar um pequeno fragmento do testículo e analisar para sabermos se existe a formação de espermatozoides.

23 - Qual a minha chance de engravidar após (Inseminação Intra-Uterina) IIU? E após (Fertilização In Vitro) FIV/ICSI?

Os índices globais de sucesso da concepção assistida são superiores aos da natureza. A chance de um casal obter uma gestação em cada ciclo menstrual da mulher é de 15%, o índice de sucesso por ciclo de gravidez após a IIU é de 20% e após FIV/ICSI, de 40%. Como as probabilidades de sucesso continuam a aumentar, após 4 tentativas, o índice "cumulativo" de gravidez pode chegar a 90% por casal.

24 - Embriões podem ser congelados? Por quanto tempo?

Sim. Esse procedimento é realizado quando há embriões excedentes, ou seja, mais de 4 embriões de boa qualidade, que podem permanecer congelados por tempo indeterminado. Uma das vantagens é que essa técnica possibilita o aumento de chances de se obter gravidez por tentativa, pois será mais de uma transferência embrionária com uma única estimulação ovariana, o que diminui, dessa forma, os custos do tratamento com medicamentos caso não haja a gestação na primeira transferência. Para que os embriões sejam congelados, é necessário que um termo de consentimento seja preenchido e assinado pelo casal.


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