Nessa sexta-feira, dia 19/06, às 19h, a Fertivitro promoverá uma LIVE, em seu instagram, para esclarecer dúvidas sobre como a Endometriose pode afetar a fertilidade feminina. Será um bate-papo entre os especialistas em reprodução assistida Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, médico diretor da Fertivitro, e o convidado Dr. Thomas Gabriel Miklos.

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Sobre a doença

Considerada a doença da mulher moderna, a endometriose é uma patologia que ocorre em mulheres em idade reprodutiva, entre 15 e 45 anos, que se revela pelo surgimento do endométrio (tecido que reveste a cavidade do útero) fora da cavidade uterina, seja no útero, nos ovários, nas trompas, na bexiga, e até em órgãos distantes como o pulmão, estômago, entre outros.

No Brasil, cerca de sete milhões de mulheres são vítimas da moléstia. Sendo que cerca de 20% que estão em idade reprodutiva possuem infertilidade conjugal e, dessas, cerca de 30% a 50% possuem endometriose.

Existem três mecanismos que fazem com que a endometriose leve à infertilidade feminina. A causa mais conhecida é a formação de aderências, levando a alteração da anatomia pélvica e da função das tubas uterinas, impedindo, assim, a captação do óvulo provindo do ovário para se unir aos espermatozóides. Uma segunda hipótese é o aumento das células de defesa (fator imunológico) que diminuem a ação dos gametas (espermatozóides e óvulos). E uma terceira suposição está correlacionada à implantação do embrião na cavidade do útero, sendo que, neste caso, as pacientes portadoras de endometriose apresentam uma diminuição de proteínas, assim como de outras substâncias relacionadas ao acoplamento do embrião ao endométrio, provocando a falha de implantação ou nidação.

Ainda não se sabe ao certo a causa da endometriose. Porém, é certo que existe uma chance de 6% a 7% a mais de uma mulher ter endometriose quando ela tem na família um histórico (causa genética). Existem muitos motivos, sendo que o mais provável é que no momento da menstruação, o fluxo menstrual passe pelas tubas em direção a cavidade abdominal (fluxo menstrual retrógrado) e, assim, provocando a implantação do tecido menstrual fora do útero. Outras possibilidades são a queda da imunidade e o estresse.

Nem sempre a paciente descobre que tem endometriose pelos sintomas apresentados. A grande maioria sim, de 60% a 80% sentem cólicas menstruais, 40% a 50% apresentam dor pélvica e/ou dor na relação sexual, e de 30% a 50% apresentam infertilidade. Mas há também uma parcela de 20% a 25% que são assintomáticas. Por isso, é importante a realização de exames de rotina, porque, por meio de análise numa consulta médica, exames de sangue, ultrassonografia transvaginal e/ou ressonância nuclear magnética, é possível identificar a provável presença da doença. O exame de confirmação é anatomopatológico, ou seja, temos que retirar uma amostra do foco suspeito de endometriose e encaminhar a um patologista, para a realização do exame citológico (localização das células). Portanto, para a confirmação da presença de endometriose será sempre necessária uma intervenção cirúrgica, sendo a mais utilizada a videolaparoscopia.

Existem duas maneiras de aplicar o tratamento: um para mulheres que pretendem engravidar e outro para aquelas que não querem ter filhos. Nas pacientes que não desejam a gestação, o tratamento deverá ser realizado cirurgicamente e posteriormente suspender a menstruação, pois sabemos que os tecidos da endometriose se comportam exatamente como o endométrio e, portanto, essa paciente deve ficar sem a menstruação por um período de três a seis meses. Especificamente para as pacientes inférteis, sugerimos que engravidem o quanto antes, para depois estabilizar a menstruação e, consequentemente, a endometriose.  Fica claro que uma vez que a paciente esteja gestante, ela ficará pelo menos nove meses sem fluxo menstrual, o que leva a uma estabilidade da endometriose.

Para aquelas que não encontram a cura da doença para poder iniciar uma gestação, a boa notícia é que a reprodução assistida é a solução para o sonho da maternidade. As que desejam engravidar e já foram operadas de endometriose, há mais de um ano, deverão procurar uma clínica especializada em infertilidade conjugal, pois mais de 90% dessas pacientes necessitarão de tratamento para conseguir engravidar.

O tratamento de reprodução assistida em pacientes com endometriose depende muito da idade da mulher e do grau de intensidade da moléstia. Quanto mais leve a endometriose e mais jovem a paciente, teoricamente, mais simples o tratamento. Nesse caso, iniciamos com um tratamento de baixa complexidade como o Coito Orientado ou Inseminação Intra Uterina. Já para as pacientes com mais de 35 anos e/ou com endometriose nos estágios mais avançados, utilizamos a Fertilização in vitro (FIV).