Paralelamente ao tratamento médico, pacientes são atendidos por psicólogos para aprenderem a lidar com o procedimento da reprodução assistida

Por Ana Rosa Detilio Monaco*

Quando um casal procura uma clínica de reprodução humana para realizar o sonho de ter um filho, não imagina que, aliado ao tratamento médico, ele é submetido ao atendimento psicológico. Os pacientes sempre se surpreendem, porque explicam que não têm “problemas psicológicos”, apenas estão em busca da fertilização.

É que a maioria dos casais espera engravidar na primeira tentativa, por acreditar que a medicina tem total controle da situação. Devido a esse pensamento, os pacientes não vêem motivos para passarem com um psicólogo, pois muitas pessoas entendem que o trabalho desse profissional é abordar problemas emocionais, portanto, não teriam demanda para uma consulta, já que tudo parece tão simples. Mas pesquisas mostram que, mulheres submetidas a tratamentos de reprodução assistida, apresentam níveis mais altos de ansiedade e tensão emocional.

Por mais que o avanço da Medicina tenha ajudado muitas pessoas a realizarem o sonho da maternidade e paternidade, vivenciar o procedimento da reprodução humana, em alguns momentos, não é tão simples quanto parece. É aí que o psicólogo entra em cena, ao explicar o passo a passo do aspecto emocional envolvido no tratamento.

Entendo que seja muito importante o paciente estar consciente sobre todo o processo que envolve a reprodução assistida, para que possa viver os momentos de maneira mais confortável. Não é que tudo o que envolva o tratamento seja ruim, mas sempre digo que é bem diferente de tudo o que já vivemos ou pensamos um dia viver. Submeter-se a um tratamento médico para ter um filho não faz parte dos planos de ninguém, porque sempre queremos que ocorra de forma natural.

Além de informar como tudo funciona, permitimos que os pacientes compartilhem as suas angústias, os seus medos e as suas dúvidas conosco. O objetivo é deixar o casal à vontade para tratar o assunto que necessitar sempre protegido pelo sigilo.

As consultas podem ser individuais ou em casal, dependendo da demanda, e tendem a abordar os seguintes temas:

  • Sentimentos e as representações frente ao diagnóstico      de infertilidade e o tratamento.
  • Como lidar com a família e os amigos diante do      tratamento.
  • As emoções e as diferentes fases do procedimento.
  • Baixa-estima e sentimentos de inferioridade.
  • .A interação do casal com a equipe médica.
  • O casal e suas diferenças tanto no diagnóstico como no      tratamento.
  • Como lidar com o resultado negativo.
  • A questão do tempo e as angústias desencadeadas.
  • Quem é o culpado e como lidar com este sentimento.
  • Relacionamento e sexualidade.
  • Contar ou não ao filho sobre o tratamento e muitos      outros assuntos.

No atendimento psicológico, também se oferece um suporte para compreender os sentimentos que surgem neste momento na vida das pessoas envolvidas, sempre pensando que cada um tende a viver estas representações de forma diferente, compreendê-las pode fazer toda a diferença.

Nós, da Fertivitro, pretendemos propiciar com este trabalho um espaço acolhedor, em que possamos juntos encontrar os melhores caminhos, visando o bem-estar de nossos pacientes.

* Ana Rosa Detilio Monaco é psicóloga da Fertivitro — Centro de Reprodução Humana, especialista em Reprodução Assistida