Por Ana Rosa Detilio Monaco*

Esta é uma das questões que surgem quando o casal inicia o tratamento para infertilidade. Sabemos que os procedimentos de reprodução assistida geram vários sentimentos nos pacientes e a ansiedade é um dos que se mostram mais presentes. A questão aqui é que a ansiedade não se manifesta somente nas pessoas envolvidas diretamente, mas também nos familiares e amigos, porque todos estão à espera do bebê, e se ele for aguardado há algum tempo, a expectativa tende a aumentar para todos.

Contar ou não aos familiares e amigos requer algumas reflexões. Eles podem ficar tão ansiosos quanto o casal, que além de enfrentar a própria expectativa, terá que lidar com os sentimentos das pessoas de convivência.

Se não revelar, o casal terá que se deparar com a realidade de não poder dividir os sentimentos com pessoas significativas. Para a mulher, muitas vezes, parece mais difícil não falar, porque elas precisam conversar sobre o assunto para aliviar um pouco a tensão gerada pelo tratamento, segundo depoimentos de algumas pacientes.

Compartilhar as informações também não garante que se obtenha total compreensão dos outros frente às questões vividas nesse momento. Penso que só quem viveu ou tem conhecimento profundo dessa situação, consegue conhecer as realidades e os sentimentos presentes nos tratamentos para infertilidade. Por isso, o casal deve estar de acordo sobre revelar ou não, afinal, o filho desejado pertence aos dois.

Se decidirem por contar e o resultado for negativo, é necessário se preparar para uma situação que pode não ser muito confortável, principalmente, se for a primeira tentativa, em que o casal, geralmente, tem a certeza que será positiva.

Também há casos em que os pacientes escolhem para quem compartilhar a notícia, pessoas que eles consideram que saberão lidar com as expectativas geradas pelos tratamentos. E até mesmo amigos e familiares que são imprescindíveis em um momento tão importante de suas vidas.

Tem ainda o casal que não necessita contar, por não se sentir à vontade de falar que precisa de um tratamento para engravidar, ou que prefere passar pela experiência de forma íntima e sem gerar expectativas nos outros.

Cada paciente deve refletir e ponderar o que será mais adequado em um momento tão especial de suas vidas, de acordo com a sua realidade. O importante é passar pelo tratamento da forma mais confortável possível. Um psicólogo especialista na área de Reprodução Humana terá instrumentos a oferecer para que juntos possam construir este caminho.


* Ana Rosa Detilio Monaco é psicóloga da Fertivitro  — Centro de Reprodução Humana.

 

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